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Como identificar se uma ideia que você teve é boa mesmo.

Todo mundo tem várias ideias para roteiros todos os dias, todo mundo todo dia vê uma situação ou ouve uma história que poderia virar um filme. Só que a maioria das pessoas não sabe o que fazer com isso... É da mesma forma que todo dia todo mundo passa por alguma cena que renderia uma ótima foto, só não tem o olho treinado do fotógrafo para fazer o clique na hora certa.

Quem é – ou pretende ser – roteirista, tem que ter esse “olho” atento, para perceber onde as histórias estão. E elas estão por todo lado!

Agora, claro, precisa ter critério, porque nem toda história que passa pela gente – ou mesmo que a gente inventa do nada - é boa. Às vezes até é boa, mas já é surrada demais. Ou é boa, é nova, mas não tem a ver com o que a gente quer se dedicar como roteirista.

Então o que eu pessoalmente faço é: toda ideia que eu tenho eu anoto num arquivo chamado “Ideias”. E vou colecionando.

Aí o que acontece é que sempre tem uma ideia, depois de tantas, que acaba chamando mais atenção. Ou porque você começa pensar em cenas ou diálogos que acha que poderia usar naquela ideia, ou então porque simplesmente você pensa nela com frequência, como se fosse alguém que você conheceu e se apaixonou.

Quando uma ideia começa a me cutucar muito, quando chega na quarta ou quinta vez que eu me vejo pensando numa mesma ideia, é hora de conversar com ela...

Aí eu pego uma hora mais tranquila e falo pra mim mesmo: “Vai. Me conta. Como é essa história?”. E começo a elaborar mais a história, começo a contar pra mim como ela é, onde ela chega, por onde ela passa. E, como num encontro com alguém novo, eu vejo o quanto aquela ideia me encanta, o quanto ela me surpreende, quais são suas potencialidades, o quanto ela me seduz.

E se a coisa for pra frente, aí é hora de abrir um arquivo novo no Word, com um nome para aquela ideia – o que equivale a um pedido de namoro. E aos poucos vou me aprofundando nela, criando uma relação. Se a ideia for boa mesmo, se tiver a ver com o que eu busco, aí não precisa marcar mais nada: eu já não vou mais conseguir ficar sem aquela ideia, sem me dedicar a ela. É como uma paixão nova, um romance novo: se a pessoa - ou a ideia - for legal mesmo, você vai saber que é, porque não para de pensar nela.

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