Conteúdo completo do curso A Anatomia de uma História

Resumo

O curso é dividido em duas partes: na primeira será dada a teoria dramatúrgica. Na segunda assistiremos a um filme, analisando cena a cena, explicitando assim a função dramática de cada uma delas, de acordo com as bases já aprendidas. No curso de 30 horas ainda há uma terceira parte, quando os alunos desenvolvem as sinopses de suas próprias histórias, que são lidas em classe e comentadas por todos os colegas, com monitoração do instrutor.

Tópicos que serão abordados durante as aulas

Duas das mais importantes palavras-chave para se construir um bom roteiro:

controle e respeito (respeito pelo público e respeito pelos seus personagens).

Premissa:

Mais do que se comunicar, o ser humano é capaz de contar e entender histórias. Somos os únicos na natureza com essa habilidade. Isso foi e é fundamental para evolução da espécie. Contar história não é diversão, é elemento essencial de sobrevivência e evolução, porque contando histórias compartilhamos nossas vivências. É possível que sem a dramaturgia fossemos apenas outro tipo de macaco, talvez mais inteligentes, mais hábeis com a fala, mas ainda assim apenas outro tipo de macaco. Mas para o ato de contar uma história funcionar, é preciso que ela seja contada numa certa sintaxe, num padrão pré-estabelecido, um paradigma, que preencha a expectativa de quem a ouve, senão não terá como o interlocutor absorver as informações nela contidas.

● Toda história conta uma experiência transformadora, positiva ou negativa.

● A história tem que ser universal e ao mesmo tempo única.

● Exemplo básico de uma história dentro do paradigma.

 

● Estudiosos como Aristóteles, Field, Vogler e McKee não "criaram" este paradigma, eles o detectaram e o expuseram didaticamente e o transformaram numa ferramenta para quem escreve. O paradigma já está dentro de cada escritor, apenas por ser um ser humano. O que estudo da dramaturgia faz, é dar controle ao autor sobre sua obra e seu processo criativo. Estes teóricos - bem como o estudo da dramaturgia - não ensinam como escrever um bom roteiro, eles explicam como os bons roteiros são escritos.

 

● Desenho do paradigma.

● Não é uma fórmula, mas uma forma.

● A boa notícia: dramaturgia não é álgebra, nem contabilidade. A má notícia: dramaturgia não é a casa da avó... Existem regras, que por mais que elas tenham alguma flexibilidade, devem ser sempre observadas.

● Diferença entre tema e temática.

Os Três Atos.

 

Três atos estão em muita coisa, como música, teorias, defesas jurídicas, palestras.

Em dramaturgia: apresentação da trama, desenvolvimento da trama, resolução da trama. Tudo em cima do protagonista.

Elementos do primeiro ato:

Apresentação do protagonista e suas características.

Apresentação do universo onde ele está inserido (Universo Comum).

As regras deste universo.

Como ele se relaciona com este universo e vice-versa.

O que ele quer, o que busca, o que o motiva e o movimenta.

Fraqueza moral.

Encontro com o mentor.

Incidente incitante (o gatilho).

Primeiro Ponto de Virada

 

Elementos do segundo ato:

O Universo Especial e suas regras.

Como o protagonista encara esse novo universo e seus desafios.

O protagonista é testado.

Os desafios são cada vez maiores.

Risco e oportunidade.

Seus valores aparecem.

Por que agora?

Mantenha a pressão, não dê sossego para o seu personagem, muito menos para o público

Não precisa vencer, mas tem que tentar.

Midpoint, o momento de morte, o ponto sem volta.

Renascimento / nova pele.

Novo encontro com o mentor.

Desafios maiores.

Positivo / negativo.

Segundo Gatilho.

 

Segundo Ponto de Virada

Elementos do terceiro ato:

Preparação para a luta maior.

Clímax, a luta maior, a redenção, a catarse.

Resolução da trama.

A volta com o Santo Graal, que é a prova da mudança do personagem.

Inventário do que se ganhou ou perdeu, para que serviu aquela jornada.

Payoffs, as resoluções das subtramas.

Arco do personagem, mudança, ele mereceu (nos dois sentidos: prêmio e castigo).

● Fuja dos clichês, especialmente os de "primeira prateleira".

● Motivação e empatia. O público tem que poder se colocar no lugar do personagem.

● O ser humano é capaz de se colocar no lugar do outro. Dramaturgia vive desta habilidade humana, sem ela, não existiria dramaturgia.

 

● Sem motivação e sem obstáculos, não há drama, nem trama. A isso dá-se o nome de "conflito": a oposição entre motivação e obstáculos. O que define um personagem (e por consequência o desenrolar da trama) é como ele lida com seus obstáculos e qual seu comprometimento com seu objetivo.

 

● O conflito é sempre interno, apesar de também existirem conflitos externos.

Subtexto: Um personagem é o que ele faz, não o que ele fala.

● O personagem pode não saber o que precisa e mirar numa coisa e acertar em outra e assim acabar achando o que realmente lhe faltava, mas ele não sabia. Ao final da história devemos ser capazes de perceber a diferença entre o que ele queria e o que ele precisava.

● Fuja dos estereótipos, eles são sempre baseados em preconceito.

● Diferença entre Arquétipo e Esteriótipo.

Arquétipos:

Herói

Vilão/sombra/nêmesis/antagonista

Mentor

Guardião de limiar

Arauto

Pícaro

Camaleão

 

Mais um arquétipo por conta da casa: Rei Shariar, o arquétipo que representa o público.

 

Master Scene. Será mostrado para os alunos como é a diagramação de um roteiro no formato Master Scene, o formato utilizado e praticamente obrigatório em todo mundo. Neste formato, cada página corresponde a um minuto na tela, portanto um roteiro de 120 páginas renderá um filme de 2 horas.

 

● Os elementos deste formato de roteiro:

Heading, Action, Character, Parenthetical, Dialogue e Transition

 

Serão indicados programas profissionais que escrevem o roteiro neste formato.

● Diferença entre sequência e cena.

● Composição de cenas. Cena é a parte da história que você escolheu contar.

Beat: o menor elemento de um roteiro, os pulsos de cada cena.

● Uma cena só serve para fazer a história andar para frente, ou para revelar informações sobre os personagens. Todas as outras devem ser excluídas.

● A primeira cena, o primeiro encontro com o público.

 

● Você não escreve para o público, mas para uma equipe de produção.

 

● O roteirista decide "o quê", quem decide "como" é o diretor.

 

● Não é para decupar!! Isto é trabalho do diretor, você não ganha para isso.

● A importância da Pesquisa. Não é possível escrever sobre o que não se conhece.

● Domine o patois, a idiossincrasia da "língua" que os personagens falam.

● Dê personalidades distintas para cada um dos seus personagens, não faça todos falarem como você.

(A menos que você seja o Woody Allen...)

● A maioria das histórias é sobre pessoas comuns vivendo situações extraordinárias.

 

● Character-Driven x Plot-driven, a falsa questão.

 

● Ideias de primeira geração.

 

Subtramas, tramas correlatas que formam a trama principal e influenciam nela.

● Verossimilhança e plausibilidade: Uma provável impossibilidade é melhor do que uma possibilidade improvável.

Backstory. Como era o personagem antes do filme começar. O que interessa na história pregressa é o que causou a fraqueza moral do protagonista.

 

● Exija sempre Inteligência do seu público, nunca exija cultura.

 

● A diferença entre cultura, inteligência e senso comum.

 

● Show, don't tell.

 

● Entre tarde, saia cedo.

 

● Os dois lados têm que ter razão.

● Plantando informações que o público precisará ter ao longo da história, “a arte de berinjela”.

On the nose: exposição didática e aborrecida versus inteligência e cumplicidade com o público. O público não é bobo.

● Personagem não é seu empregado, é uma pessoa e tem que ser tratada como tal. Quando você o trata com respeito, ele retribui, ajudando a compor a história.

 

● Quem tem que viver é o personagem, quem tem que sentir emoções é o público. Evite cenas "Shiny happy people".

● O desafio cai do céu, a solução não. O acaso só pode complicar a vida do protagonista, nunca resolver.

Clockticking, é a chave para suspense e comédia.

Deus Ex Machina. Nunca!

O Processo de Criação e suas etapas.

● Projeção de um vídeo que "simula" como pode ter sido a criação do roteiro do filme "Uma Linda Mulher".

 

O Fluxo de Informação: quem sabe o que, quando? As possibilidades são:

 

- Protagonista vai descobrindo as coisas junto com o público;

- Protagonista sabe mais que o público;

- Público sabe mais que o Protagonista;

- Público e Protagonista descobrem juntos a informação bombástica;

- Protagonista e Público sabem mais do que os outros personagens da trama. Protagonista tem um segredo.

 

Nenhum "está certo" nem "errado", o que precisa é ter controle.

Tipos de histórias quanto ao Plot:

 

- Monoplot;

- Multiplot;

- Episódico;

- Duoplot;

- Monoplot compartilhado;

- Saga.

● Projeção de filme multiplot (em 10 minutos) com suas histórias aglutinadas e resumidas, para se detectar o paradigma em cada uma delas.

 

● Projeção condensada do filme "Pais e Filhas" (em 30 minutos) onde detectaremos os pontos principais das duas tramas que formam este filme.

 

Nos cursos de 30 horas, assistiremos a um filme, comentando cena por cena. Os temas já abordados serão revistos, agora de forma aplicada.

 

● Um roteiro é uma mala pequena para uma viagem longa. Leve só o necessário. Na dúvida, corte. Sem dó.

REESCREVER! Por que se reescreve? (por vários motivos, mas principalmente porque você não é um gênio.)

● Um roteirista precisa ter muitos amigos. Preste atenção no problema que eles detectaram, não obrigatoriamente na solução que eles deram.

 

● Um roteirista precisa ter bagagem, repertório. Saia do Facebook e vá viver a vida, se quiser ser roteirista.

 

● Adaptação de história real não é reportagem.

 

● O seu personagem pode ter uma agenda política, ideológica, religiosa, ou social a cumprir. A sua não interessa. O filme NUNCA é sobre o roteirista que o escreveu. Se você quiser abordar um tema que lhe seja caro ou que julgue importante, faça com que seu personagem o VIVA, não que seja seu porta-voz.

 

● E o mais importante de tudo: Revolucione o quanto quiser! Mas antes de revolucionar, coma o clássico com farinha.

Glossário (palavras que acabam sempre aparecendo no meio das explicações)

McGuffin

Gestalt

Diegese

Gimick

Leitmotiv

Tessitura

Patois

Cue

Payoff

Twist

Whodunit.